para o professor pier, quem estuda para a prova não aprende e quem apenas assiste à aula não estuda
De forma descontraída, o professor Pierluigi Piazzi, ou simplesmente professor Pier, deu início a sua palestra na Escola Técnica Estadual Armando Bayeux da Silva na manhã chuvosa do Dia dos Professores.
O auditório da escola estava repleto de alunos que acompanharam atentos a explanação com o tema "Aprendendo inteligência", na qual foi abordada a diferença entre estudar e aprender.
Químico industrial, físico e autodidata em computação, o professor nascido na Itália, que chegou ao Brasil aos 12 anos, abriu a palestra afirmando que toda vez que alguém fala de forma errada, pensa de forma errada. "O Brasil tem milhões de alunos e pouquíssimos estudantes", disse. Diante dessa afirmação, ele explicou que o aluno assiste às aulas enquanto o estudante estuda. "Quem assiste à aula não estuda, absorve conteúdo, o estudo é solitário, ativo."
Segundo o professor, inteligência é algo que se aprende: "a inteligência é como a escada - tem que subir um degrau de cada vez -, não adianta querer absorver todo conhecimento em um dia, o cérebro não é capaz de armazenar muito conteúdo de uma só vez, tem que ser aos poucos", salienta.
Pier destacou que o Brasil tem um dos piores sistemas educacionais do mundo e que Buenos Aires tem mais livrarias que o Brasil inteiro. "Os brasileiros não leem, existem 70 milhões de brasileiros que jamais leram um livro, isso representa 1/3 da população. O Brasil é um país de analfabetos funcionais, sabem transformar letras em som, e não interpretar o texto", salienta.
Para reverter essa situação, o professor destaca que é preciso deixar de cometer três erros: estudar para a prova, não ler livros e conversar em sala de aula. "Quem estuda para a prova não aprende", e afirma que as pessoas que estudam em cima da hora é para não esquecer, e não para aprender.
Para o professor, uma forma de aprender é estudar pouco todo dia. "Aula dada, aula estudada hoje", com essa frase ele explica que as aulas assistidas devem ser estudadas no mesmo dia, para realmente se aprender. "Entender o conteúdo não é suficiente para aprender", diz.
O professor ainda destacou o papel que a televisão exerce sobre as pessoas. "A televisão imbeciliza e hipnotiza as pessoas, a TV fica ligada o tempo todo, o que torna as pessoas mal-educadas, elas não se atêm às informações", diz.
Outro destaque da palestra foi sobre a internet, tão usada nos dias de hoje, principalmente pelos adolescentes, e que causa sérios danos ao indivíduo. "Pesquisas mostram que a internet auxilia na perda de ortografia, o MSN causa o rebaixamento de QI e os fones de ouvido reduzem a articulação da fala", disse.
Sobre a desigualdade social, Pier afirmou que ela não acaba com Bolsa Família e sim com educação. "É preciso criar o hábito da leitura, mas só lê muito quem lê por prazer, é preciso que cada um encontre o seu livro para pegar gosto pela leitura", fala.
Pier destacou que o professor precisa ser sedutor. "O professor precisa fazer com que o aluno goste da matéria, ele também deve fazer algo para valorizar o estudo solitário do aluno", fala.
Sobre a falta de valorização do professor, ele destaca que é preciso mais investimentos. "O professor de escola pública trabalha em condições precárias, se um dia tivermos um governo que priorize a educação, e não apenas que fale que prioriza, teremos um avanço, são necessárias medidas que valorizem a profissão, como voltar a lei pela qual os professores não pagam imposto de renda, e oferecer melhores condições de carreira", diz.
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